-> A Antártida, também chamada de Antártica, localizada no extremo sul do planeta, é um continente isolado, com ambiente preservado e sem habitantes permanentes.
-> Ele não pertence a nenhum país e é administrado por meio de um tratado internacional.
-> Sua localização é estratégica, pois permite acesso aos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico.
-> Além disso, acredita-se que o continente possua vastas reservas de recursos naturais, como petróleo, além de grandes quantidades de água doce armazenada em suas geleiras.
-> As possibilidades de exploração desse território despertam interesse mundial e geram intensos debates.
-> De um lado, há grupos que defendem a exploração desses recursos.
-> De outro, estão aqueles que apoiam a preservação do continente, defendendo que ele continue sendo utilizado apenas para fins científicos.
Localização e aspectos gerais
-> A Antártida é o continente situado majoritariamente ao sul do Círculo Polar Antártico, no Hemisfério Sul.
-> Com cerca de 14 milhões de km², representa aproximadamente 10% de todas as terras emersas do planeta.
-> Sua área é comparável à soma dos territórios do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Peru e Bolívia.
-> Esse continente, o mais austral da Terra, é cercado pelo oceano Glacial Antártico, que se liga aos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico.
-> O território antártico é dividido em duas grandes porções: a Antártida Oriental e a Antártida Ocidental, separadas pelas Montanhas Transantárticas, uma cadeia montanhosa com cerca de 4 mil km de extensão.
-> A Antártida Oriental é a parte mais ampla do continente.
-> Já a Antártida Ocidental, menor e mais próxima da América do Sul, abriga a Península Antártica, onde se encontram bases científicas de diversos países.
-> O gelo cobre aproximadamente 98% da superfície antártica e pode ultrapassar 4 quilômetros de espessura em alguns locais, formando enormes massas conhecidas como mantos de gelo, geleiras continentais ou inlandsis.
-> A Antártida é um dos ambientes mais gelados do planeta, caracterizado pelo clima polar.
-> No inverno, as temperaturas no interior do continente podem cair para menos de –80 °C.
-> Esse tipo de clima é marcado por médias térmicas muito baixas e pouca umidade, com precipitações inferiores a 50 milímetros por ano, fazendo da região um verdadeiro deserto gelado.
-> As temperaturas mais elevadas ocorrem na primavera e no verão, entre novembro e fevereiro, podendo ultrapassar 0 °C em áreas de menor altitude.
-> As regiões onde o gelo não recobre totalmente o solo, revelando rochas e pequenas faixas de terreno, podem abrigar musgos, líquens e arbustos de pequeno porte, embora a vegetação seja bastante limitada.
Geologia e relevo
-> Do ponto de vista geológico, a maior porção da Antártida é formada pelo Escudo Antártico, uma antiga plataforma continental composta por rochas bastante antigas, algumas com mais de 3 bilhões de anos.
-> Além dessa estrutura, existem bacias e cadeias montanhosas, quase sempre encobertas por gelo.
-> Em relação à altitude, o continente apresenta elevações que ultrapassam 4 mil metros, alcançando aproximadamente 4.890 metros no Monte Vinson, seu ponto mais alto.
-> A extensa camada de gelo é a principal característica geológica da região, cobrindo quase toda a superfície antártica.
-> Essa enorme massa de gelo se formou a partir do acúmulo contínuo de neve ao longo de milhares de anos.
-> Apesar de grande parte do território apresentar aparência plana por causa do gelo, o continente possui importantes cadeias montanhosas e elevações, como as Montanhas Transantárticas.
-> Essas estruturas se originaram por meio de processos tectônicos e vulcânicos ocorridos ao longo da história geológica da Terra.
-> Os mantos de gelo que recobrem a Antártida funcionam como gigantescos reservatórios de água doce, concentrando cerca de 70% de toda a água doce existente no planeta.
-> A realização de estudos geológicos na Antártida é bastante complexa devido às condições climáticas extremas e ao isolamento natural do continente.
-> Por isso, muitos aspectos da geologia antártica ainda não são completamente compreendidos.
Formação continental
-> Apesar da configuração atual, a região que hoje forma a Antártida nem sempre esteve localizada no extremo sul do planeta, e o continente já apresentou diferentes tipos de clima e vegetação antes de se tornar uma área majoritariamente congelada.
-> Fósseis de uma mesma planta encontrados na América do Sul, na África, em partes da Ásia (como a Índia), na Oceania e na própria Antártida mostram que essas áreas já estiveram unidas no passado.
-> A descoberta desses e de outros fósseis revela que o continente antártico já abrigou uma fauna e flora variadas.
-> Isso reforça a existência do supercontinente Pangeia e sua posterior divisão em Laurásia e Gondwana, que ocorreram entre as eras Paleozoica e Mesozoica.
-> A separação dessas massas de terra é explicada pela teoria da Tectônica de Placas.
-> Quando era parte da Pangeia e depois de Gondwana, a área que corresponde à Antártida atual ocupava regiões menos ao sul do planeta e possuía condições climáticas diferentes das de hoje.
-> Em cenários climáticos distintos, o continente sustentava vegetações mais densas e grandes animais, funcionando inclusive como rota de migração para algumas espécies entre o que hoje conhecemos como América do Sul e Oceania.
-> A presença atual de petróleo e gás natural na região está relacionada, entre outros fatores geológicos, à existência desses antigos ecossistemas, que deixaram grande quantidade de material orgânico no solo.
-> Há cerca de 35 milhões de anos, o afastamento entre a Antártida e a América do Sul resultou na abertura de um oceano entre as duas áreas e no deslocamento da Antártida para uma posição mais ao sul.
-> Evidências indicam que vegetações baixas, semelhantes às da Tundra, persistiram até aproximadamente 14 milhões de anos atrás.
-> Depois disso, o acúmulo contínuo de neve iniciou o processo de soterramento do material orgânico.
A Antártida no mundo atual: disputas e desafios
-> Devido à sua posição estratégica, à abundância de recursos naturais e ao fato de não pertencer oficialmente a nenhum Estado-nação, a Antártida atrai o interesse de diversos países, além de empresas privadas e outros atores que buscam possibilidades de exploração e influência sobre o continente.
-> Alguns países geograficamente próximos — como Argentina, Austrália, Chile e Nova Zelândia — reivindicam soberania sobre partes da Antártida.
-> Porém, nações distantes também buscam assegurar presença e controle na região, como França, Noruega e Reino Unido.
-> Essas nações defendem o direito de explorar setores específicos do território antártico.
-> O primeiro registro de avistamento da Antártida ocorreu em 1820, feito por russos, britânicos e norte-americanos.
-> Contudo, somente em 1904 a Argentina instalou a primeira base permanente na Ilha Laurie.
-> A partir desse marco, as disputas por controle territorial se intensificaram:
-> em 1908, o Reino Unido reivindicou a ocupação de áreas amplas da Antártida, muitas das quais também eram requeridas pela Argentina;
-> em 1940, o Chile passou a solicitar oficialmente partes do continente;
-> a Noruega buscou reconhecimento de seus direitos de exploração com base nas expedições realizadas em 1911;
-> em 1923 e 1926, a administração de determinados territórios antárticos foi transferida pela Coroa Britânica para a Nova Zelândia e para a Austrália, áreas visitadas por exploradores britânicos.
-> Nas décadas de 1930 e 1940, países como Argentina, Alemanha, Estados Unidos e Noruega organizaram expedições científicas que identificaram recursos marinhos valiosos ao redor da Antártida.
-> Atualmente, as intenções de domínio territorial e de exploração econômica entram em conflito com a posição de cientistas, pesquisadores e organizações civis, que defendem a preservação total do continente.
-> A extração de minerais e combustíveis, a pesca comercial e o crescimento da atividade turística podem causar danos graves aos ecossistemas antárticos, comprometendo sua capacidade de regeneração e provocando impactos globais.
-> Afinal, a conservação do gelo antártico é essencial para manter o nível dos oceanos e para o equilíbrio do clima do planeta.
-> O turismo já faz parte da realidade da Antártida.
-> Os visitantes chegam ao continente principalmente por navios, atraídos pelas paisagens e pelas características únicas da região.
-> Vale lembrar, é o único continente sem população residente permanente.
-> As viagens acontecem exclusivamente no verão e têm, em geral, como ponto de partida a cidade de Ushuaia, na Argentina.
O Tratado da Antártida
-> Após algumas tentativas de resolver a questão da ocupação do continente, foi estabelecido o Tratado da Antártida (também chamado de Tratado da Antártica), que abrange toda a região situada ao sul do paralelo 60º S.
-> Esse acordo foi firmado em 1959 por 12 países e entrou em vigor de 1961 a 1991.
-> A assinatura ocorreu em Washington, nos Estados Unidos.
-> Mais tarde, outras nações aderiram ao Tratado, entre elas o Brasil, em 1975. Em 1991, os países signatários decidiram estender a validade do documento por mais 50 anos.
-> O tratado estabeleceu diversas normas e consensos, entre eles a suspensão das disputas territoriais na região.
-> Assim, os países que já haviam feito reivindicações não precisariam renunciá-las, mas ficariam impedidos de colocá-las em prática; e aqueles que não haviam reivindicado território não poderiam apresentar novas reclamações.
-> A Antártida permaneceria aberta a qualquer país, desde que as atividades tivessem propósitos pacíficos.
-> Na época, o tratado assegurou a liberdade de pesquisa científica e impediu que a Guerra Fria, entre Estados Unidos e União Soviética, atingisse o extremo sul do planeta.
-> Atualmente, o Tratado da Antártida conta com mais de 50 países e tem previsão de vigência até 2041.
-> O documento permite a entrada de qualquer nação que faça parte da Organização das Nações Unidas (ONU).
-> Entre os participantes, 29 possuem status de membros consultivos — grupo formado pelos signatários originais ou por países que realizam pesquisas científicas importantes na região, categoria da qual o Brasil faz parte desde 1983.
O Protocolo de Madri
-> Aprovado em 1991, o Protocolo de Madri é também chamado de Protocolo ao Tratado da Antártida sobre Proteção ao Meio Ambiente.
-> O Protocolo de Madri tem como objetivo preservar o ambiente e os ecossistemas antárticos em benefício de toda a humanidade.
-> O documento reconheceu a Antártida como uma “Reserva Natural Internacional voltada à paz e à pesquisa científica”.
-> Ele funciona como um complemento ou extensão do próprio Tratado da Antártida.
-> O Protocolo de Madri determina regras para preservar a fauna e a flora da região, incentivando ações de proteção ambiental e estabelecendo normas para temas como o descarte de resíduos, a prevenção da poluição marinha e a análise do impacto ambiental de diversas atividades.
-> Entre suas proibições, estão a mineração e qualquer tipo de exploração petrolífera.
-> A partir de 2048, o Protocolo de Madri poderá ser alterado a qualquer momento, desde que haja consenso entre todos os membros consultivos do Tratado da Antártida.
Ártico
-> No extremo norte do planeta está localizado o Ártico — região oposta à Antártida.
-> O Ártico é composto por um conjunto de águas marinhas congeladas, trechos de continentes, ilhas, inlandsis e extensas placas de gelo, distribuídos ao redor do Polo Norte, sobretudo dentro do Círculo Polar Ártico.
-> Ao contrário da Antártida, o Ártico não é considerado um continente, pois sua área emersa é formada majoritariamente por gelo, sem uma base rochosa sob essa camada congelada.
-> As porções continentais da região pertencem aos países situados mais ao norte do planeta, abrangendo territórios da América do Norte, Europa e Ásia.
-> No total, oito países possuem áreas que se estendem até o Ártico: Estados Unidos, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Rússia e Suécia.
-> Politicamente, esses países se articulam por meio do Conselho do Ártico, criado em 1996, com o objetivo de promover cooperação entre os Estados árticos na tomada de decisões relacionadas à região.
-> Diferente da Antártida, o Ártico abriga populações permanentes, concentradas principalmente nas zonas costeiras desses oito países.
-> Além disso, o Ártico é uma área abundante em minerais, água doce, recursos pesqueiros, petróleo e gás natural, o que faz com que desperte grande interesse e disputas no cenário internacional.
Antártida: uso econômico e investigações científicas
-> O Tratado da Antártida, juntamente com o Protocolo de Madri, estabelece restrições tanto ao controle territorial quanto à exploração econômica do continente.
-> Essas normas só poderão ser revistas a partir da década de 2040.
-> Mesmo assim, determinadas atividades econômicas já foram realizadas nas áreas marinhas e nas ilhas mais ao norte, enquanto outras continuam em processo de desenvolvimento.
Interesses econômicos
-> A caça às focas começou a ser realizada nas ilhas da Antártida no fim do século XVIII, com o objetivo de obter peles e óleo animal.
-> Essa prática provocou grande destruição da fauna local e colocou várias espécies em risco de desaparecimento.
-> Entre o final do século XIX e o começo do século XX, as baleias e os elefantes-marinhos também foram alvo de intensa caça, tanto pela carne quanto pelo óleo.
-> As baleias-comuns quase desapareceram no Hemisfério Sul devido à caça excessiva, mas vêm se recuperando após a implementação de regras restritivas e da proibição dessa atividade.
-> Outras formas de exploração econômica que afetam os mares antárticos incluem a pesca do bacalhau e a coleta de krill.
-> O krill é essencial para o funcionamento da cadeia alimentar antártica, servindo como principal alimento de baleias, focas, pinguins e diversos outros animais.
-> A captura excessiva desse pequeno crustáceo pode interromper as cadeias alimentares, provocar quedas acentuadas na população de espécies que dependem dele e alterar sua distribuição geográfica, levando esses animais a migrar em busca de comida.
-> Isso pode gerar impactos imprevisíveis em outras áreas oceânicas e desestabilizar ecossistemas em níveis local, regional e até global.
-> A vulnerabilidade e o papel crucial do krill despertam preocupações sobre sua exploração e sobre as mudanças nas condições marinhas, incentivando debates acerca da necessidade de normas internacionais para proteger os ecossistemas.
-> Quanto aos recursos energéticos, a Antártida chama atenção pela possível existência — ainda não totalmente confirmada — de petróleo, gás natural e carvão.
-> As reservas de petróleo podem ser tão grandes que ficariam atrás apenas das da Venezuela e da Arábia Saudita.
-> Pesquisas geológicas também identificaram a presença de ferro, cobre, manganês e outros minerais no continente.
Exploração dos recursos naturais e proteção ambiental
-> Atualmente, a extração de recursos naturais na Antártida é proibida e, além disso, impraticável sob os aspectos tecnológico e econômico.
-> A tecnologia existente hoje não permite realizar atividades de mineração nas condições extremas do continente.
-> Mesmo que houvesse equipamentos capazes de suportar o frio intenso, o custo de operação seria tão alto que inviabilizaria qualquer lucro.
-> Ainda assim, é possível que, no futuro, surjam tecnologias que reduzam esses gastos ou que a falta de determinados recursos no restante do mundo torne a exploração antártica justificável.
-> Apesar disso, os impactos ambientais dessa extração podem ser muito graves.
-> Os danos ambientais decorrentes da exploração mineral e energética na Antártida seriam potencialmente imensos e imprevisíveis.
-> A extração poderia contaminar o ambiente com substâncias tóxicas, resíduos da mineração e produtos químicos utilizados no processo, colocando em risco os ecossistemas marinhos e ameaçando a integridade dos habitats da região.
Interesses científicos
-> A Antártida é um dos lugares mais relevantes do planeta para a realização de pesquisas científicas em áreas como climatologia, biologia, geologia, entre outras.
-> A quantidade de bases ou estações científicas em operação no continente varia conforme o ano e as condições climáticas, já que algumas funcionam apenas temporariamente.
-> Em geral, existem cerca de 70 bases permanentes mantidas por aproximadamente 30 países.
-> A maior parte delas opera somente entre novembro e março — período que corresponde ao verão no Hemisfério Sul — e está situada na região costeira.
-> As espessas camadas de gelo da Antártida guardam registros climáticos valiosos, cuja análise permite identificar variações do clima ao longo de milhares de anos.
-> Esses dados são fundamentais para pesquisas em paleoclimatologia e para a compreensão das mudanças climáticas globais.
Coleta de dados e características específicas da Antártida
-> O continente antártico abriga ecossistemas singulares e espécies endêmicas, altamente adaptadas às condições climáticas extremas da região.
-> As pesquisas biológicas realizadas ali contribuem até mesmo para sustentar hipóteses sobre a possibilidade de existir vida em ambientes hostis fora do planeta.
-> A Antártida é considerada o local mais adequado do mundo para a observação da atmosfera e, consequentemente, para o desenvolvimento de estudos relacionados ao espaço, incluindo a análise do espaço profundo.
-> O espaço profundo é a região que abriga objetos astronômicos situados a milhões ou até bilhões de anos-luz da Terra.
O Brasil na Antártida
-> A atuação do Brasil na Antártida tem objetivos científicos e de cooperação internacional, seguindo as normas estabelecidas pelo Tratado da Antártida e pelo Protocolo de Madri.
-> As pesquisas desenvolvidas pelo país são realizadas em parceria com outras nações e contribuem para o avanço do conhecimento mundial, reforçando a relevância do Brasil dentro da comunidade científica global.
-> O país mantém uma estação de pesquisa no continente: a Estação Antártica Comandante Ferraz.
-> Inaugurada em 1984, ela integra o programa brasileiro de atividades na Antártida.
-> A base está situada na península Keller, na ilha Rei George, que pertence ao arquipélago das Shetland do Sul.
-> É possível visualizar sua localização no mapa “Antártida: bases científicas”.
-> Em 2012, um incêndio atingiu a estação brasileira, resultando na morte de duas pessoas e na destruição de grande parte de suas instalações e equipamentos.
-> A reconstrução da base levou oito anos, e sua reinauguração ocorreu em 2020.
-> A nova estrutura foi planejada com ênfase na segurança e na sustentabilidade ambiental, podendo abrigar aproximadamente 64 pessoas no verão e entre 12 e 14 pessoas durante o inverno.
Os campos de pesquisa do Brasil na Antártida
-> A seguir, são apresentados alguns dos principais campos de investigação desenvolvidos pelo Brasil na Antártida:
-> Climatologia: envolve pesquisas relacionadas ao clima e às mudanças climáticas na região, oferecendo dados essenciais para compreender as transformações ambientais em escala global.
-> Biologia marinha: abrange estudos sobre a ecologia de diversas espécies, como pinguins e focas. Essas pesquisas ajudam na preservação da fauna local e ampliam o conhecimento sobre os ecossistemas antárticos.
-> Geologia e geofísica: englobam análises sobre a formação geológica da Antártida e sua conexão histórica com o continente sul-americano.
A Antártida e o clima
-> A Antártida é um continente marcado por condições climáticas extremas.
-> Mesmo durante o verão, cerca de 98% de sua área continua coberta por gelo.
-> No inverno, essa cobertura se expande ainda mais devido ao congelamento das águas oceânicas ao seu redor.
-> Esse continente exerce um papel essencial na regulação do clima global, influenciando diversas dinâmicas atmosféricas.
-> Entre os fatores mais importantes estão a oscilação antártica e as correntes marítimas.
-> A oscilação antártica e as correntes marítimas afetam os climas e o comportamento do tempo em várias regiões do planeta.
-> A oscilação antártica consiste em alterações nos padrões de pressão atmosférica e nos ventos.
-> Ela pode ser positiva ou negativa, dependendo das condições de pressão nas áreas polares e nas regiões de médias latitudes.
-> Esse fenômeno tem impacto direto nas temperaturas e no regime de chuvas em diferentes locais da América do Sul, inclusive no Brasil.
A Corrente Circumpolar Antártica (CCA)
-> A Corrente Circumpolar Antártica move-se ao redor do continente e interfere nas demais correntes oceânicas próximas.
-> Ela cria um fluxo contínuo que, ao mesmo tempo em que impede a chegada de águas mais quentes à Antártida — contribuindo para manter suas baixas temperaturas.
-> Ela também promove trocas de calor e nutrientes com as correntes vizinhas.
-> Assim, a CCA exerce um papel essencial na circulação oceânica em escala global.
-> A presença da CCA fez com que muitos cientistas sugerissem a existência do Oceano Glacial Antártico, cuja área seria delimitada por essa corrente.
-> Durante muito tempo — e ainda atualmente — a definição desse oceano foi motivo de debate e falta de consenso.
-> Em 2021, a National Geographic Society passou a reconhecer o Oceano Glacial Antártico como uma unidade oceânica própria, devido às suas características específicas.
-> No entanto, essa classificação não foi adotada pela Organização Hidrográfica Internacional (IHO, em inglês).
-> Organização Hidrográfica Internacional entende as águas ao redor da Antártida como extensões dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico.
A influência antártica sobre ambientes da América do Sul
-> Os padrões de circulação do ar e das águas oceânicas na Antártida exercem impacto direto sobre o clima da América do Sul, especialmente no que diz respeito à temperatura e à umidade.
-> Isso acontece por meio do deslocamento de massas de ar e do movimento das correntes marítimas.
-> Um exemplo é a Corrente de Humboldt, que acompanha o litoral pacífico sul-americano e apresenta águas frias devido ao contato com a Corrente Circumpolar Antártica.
-> Esse resfriamento das águas superficiais do Pacífico diminui a umidade do ar e contribui, entre outros fatores, para a formação do deserto do Atacama, no Chile.
-> O Deserto do Atacama é considerado a região mais seca do planeta.
-> Seus reduzidos índices de chuva e baixa umidade do ar estão ligados à atuação da Corrente de Humboldt e à presença da Cordilheira dos Andes.
-> A Cordilheira dos Andes bloqueia a chegada da umidade originada da Floresta Amazônica.
-> O clima extremamente árido e o céu quase sempre limpo fazem do Atacama um dos lugares mais adequados do mundo para observações astronômicas.
-> Outro exemplo de influência antártica sobre o clima global é o deslocamento de massas de ar gelado das áreas polares rumo às zonas tropicais, normalmente mais quentes.
-> Quando essas massas frias se encontram com massas de ar quente, surgem instabilidades atmosféricas, geralmente acompanhadas por quedas de temperatura e episódios de chuva.
A Massa Polar Atlântica no Brasil (mPa)
-> No período do inverno brasileiro, a Massa Polar Atlântica (mPa), formada no extremo sul da Argentina, encontra condições atmosféricas propícias para avançar para o interior do Brasil.
-> Ela entra pelo Sul do país e pode alcançar as regiões Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e até o Norte, provocando queda acentuada nas temperaturas.
-> Quando atinge a Amazônia, essa massa de ar frio pode causar o fenômeno chamado friagem.
A Antártida e a análise das mudanças climáticas
-> A Antártida é um continente altamente sensível e frágil diante das alterações do clima, como o aumento das temperaturas médias globais.
-> Caso as previsões feitas por institutos científicos se confirmem, os impactos das mudanças climáticas na região poderão gerar consequências em escala mundial.
-> A seguir, alguns desses possíveis efeitos são apresentados.
-> Elevação do nível do mar: o aumento do volume das águas oceânicas ocorre devido ao derretimento das geleiras, consequência do aquecimento global.
-> A água proveniente do degelo chega aos oceanos e pode colocar em risco áreas litorâneas e ilhas de baixa altitude em várias partes do planeta.
-> Transformações nos ecossistemas marinhos: mudanças na salinidade e o aquecimento dos oceanos podem afetar a vida marinha, reduzindo populações de kril e prejudicando espécies como pinguins, focas e baleias.
-> Como esses animais têm papel fundamental na cadeia alimentar, os efeitos podem se espalhar por todo o sistema oceânico global.
-> Alterações nos padrões climáticos: as mudanças climáticas podem modificar o comportamento do clima na Antártida, influenciando ventos e correntes oceânicas e, consequentemente, afetando a circulação atmosférica e os climas em diferentes regiões da Terra.
-> Intensificação do aquecimento global: o derretimento acelerado do gelo antártico pode alterar o albedo do planeta — ou seja, a capacidade que a Terra tem de refletir parte da radiação solar de volta para o espaço.
-> Albedo: é a capacidade que uma superfície, objeto ou corpo tem de refletir a radiação solar.
-> O Albedo é apresentado em forma de porcentagem e varia de acordo com as características do material, como sua cor e textura.
-> Com menos gelo, mais calor é absorvido, aumentando o aquecimento global.
-> Além disso, alterações nos ventos, na circulação atmosférica e as temperaturas mais altas podem gerar efeitos complexos e imprevisíveis, prejudicando a agricultura, os recursos hídricos e a segurança alimentar.
-> Diversos registros recentes mostram que as temperaturas médias na Antártida vêm subindo nos últimos anos, elevando as preocupações de especialistas.
-> Em 2022, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou que, durante um período de março daquele ano, a temperatura média em uma área central da Antártida estava aproximadamente 35 °C acima do esperado.
-> Já em 2023, ocorreu o desprendimento de um enorme bloco de gelo, com cerca de 1 500 km, o que chamou a atenção de pesquisadores e organizações ambientais.
A camada de ozônio e a Antártida
-> A chamada camada de ozônio é uma faixa da atmosfera terrestre situada na estratosfera, entre aproximadamente 15 e 50 quilômetros acima da superfície.
-> Nessa região há grande concentração de moléculas de ozônio (O₃), responsáveis por filtrar a radiação ultravioleta do tipo B (UVB), nociva aos seres vivos.
-> Esse tipo de radiação pode causar diversos problemas à saúde humana, como câncer de pele, catarata e enfraquecimento do sistema imunológico, além de prejudicar ecossistemas terrestres e aquáticos.
-> Nas últimas décadas, verificou-se uma redução na quantidade de ozônio em determinadas áreas da atmosfera, especialmente sobre as regiões polares — com destaque para a Antártida.
-> Isso originou o chamado “buraco na camada de ozônio”.
-> Pesquisas iniciadas na década de 1970 mostraram que esse buraco vinha aumentando.
-> A ampliação do fenômeno foi relacionada às atividades humanas, sobretudo ao uso de substâncias presentes em antigos equipamentos de refrigeração e em aerossóis, como o tetracloreto de carbono (CTC) e os clorofluorcarbonos (CFCs).
-> Para enfrentar o problema, a comunidade internacional adotou medidas importantes, como o Protocolo de Montreal, firmado em 1987, que determinou a eliminação gradual da produção e do uso desses compostos destrutivos.
-> O tema ganhou grande destaque mundial, e especialistas acreditam que essas ações contribuíram para a melhora gradual da camada de ozônio, embora ainda existam pesquisadores que relativizem o papel da ação humana e de gases como o CTC nesse processo de degradação.
-> Há evidências de que a camada de ozônio está se regenerando ao longo do tempo.
-> No entanto, essa recuperação ocorre lentamente, devido à longa duração das moléculas que a prejudicam.
-> Além das atividades humanas, fatores naturais — como erupções vulcânicas, fenômenos atmosféricos e variações de temperatura — também influenciam as mudanças na concentração de ozônio.
-> Em 2023, por exemplo, a Agência Espacial Europeia registrou um dos maiores buracos na camada de ozônio das últimas décadas.
-> A erupção do vulcão em Tonga, ocorrida entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022, foi apontada como uma das possíveis causas desse aumento.
-> A localização da Antártida, em uma região polar, está relacionada a longos períodos de luminosidade contínua durante o verão do Hemisfério Sul, quando o Sol permanece no céu por meses.
-> Essa condição, somada à presença de gases que destroem o ozônio, favorece o afinamento da camada sobre o continente antártico.
-> A redução da proteção contra a radiação solar pode gerar impactos significativos nos seres vivos, prejudicando a vida marinha e terrestre, alterando processos químicos na atmosfera e modificando os padrões climáticos tanto na Antártida quanto em outras partes do planeta.
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