Sistema Endócrino



-> Em poças rasas próximas às margens do Lago Tanganica, na África Oriental, um peixe ornamental macho da família Cichlidae, de cores brilhantes, delimita e defende seu território contra outros machos.


-> Os machos dominantes patrulham constantemente suas áreas e exibem seus adornos sexuais coloridos para atrair as fêmeas, que se agrupam na margem da colônia.


-> Como são discretas e protegidas pelo seu próprio colorido, as fêmeas são difíceis de serem percebidas.


-> Quando uma fêmea está pronta para a reprodução e é atraída pela exibição do macho, ela entra em seu território e desova em uma cova preparada pelo macho, que fertiliza os ovos em seguida.


-> Normalmente, apenas 10% dos machos da colônia exibem cores brilhantes e ocupam territórios.


-> Os outros machos são menores, pouco diferenciados e comportam-se de forma não agressiva, semelhante às fêmeas.


-> Se um macho dominante é removido por um predador, os machos não diferenciados competem pela vaga de território.


-> O vencedor rapidamente adota a aparência e o comportamento do dominante, tornando-se colorido, grande, agressivo e atraente para as fêmeas.


-> Como ocorre essa mudança tão rápida?


-> Pesquisas de Russell Fernald e estudantes da Universidade de Stanford mostraram que, logo após a vitória, certas células do cérebro do macho não diferenciado crescem e secretam mensageiros químicos que atingem as células da glândula hipófise.


-> Esta, por sua vez, libera outros mensageiros químicos na circulação sanguínea, que se espalham por todo o corpo.


-> As células do corpo respondem a esses sinais produzindo as características anatômicas, fisiológicas e comportamentais típicas do macho dominante.


-> Esse fenômeno é um exemplo de como os hormônios podem induzir mudanças rápidas e dramáticas em anatomia, fisiologia e comportamento de um animal.


-> Outros exemplos de ação hormonal serão explorados ao longo desta aula.




Sistema Hormonal


-> As glândulas são formadas por células especializadas na produção e secreção de substâncias.


-> Dependendo de sua origem e da forma de secreção, podem ser classificadas em exócrinas, endócrinas e anfícrinas (mistas).




-> Glândulas exócrinas: originam-se de tecidos epiteliais e permanecem conectadas ao epitélio por meio de um ducto secretor, lançando seus produtos fora da corrente sanguínea.


-> Exemplos incluem glândulas salivares, sudoríparas, sebáceas e mamárias.




-> Glândulas endócrinas: originam-se de células epiteliais que se desprendem do tecido e invadem o tecido conjuntivo, ficando próximas aos capilares sanguíneos.


-> Seus produtos, chamados hormônios, são lançados diretamente na corrente sanguínea.


-> Exemplos são a hipófise, tireoide, paratireoide e suprarrenal.




-> Glândulas anfícrinas (mistas): possuem porções exócrinas e endócrinas, como o pâncreas, que desempenha funções de ambos os tipos.


-> Embora um hormônio seja transportado por todo o corpo, ele atua apenas sobre células-alvo específicas, reconhecendo-as por meio de receptores químicos específicos, de forma semelhante ao mecanismo dos neurotransmissores.


-> Os epitélios glandulares formam as glândulas, que podem ser unicelulares ou pluricelulares.


-> As glândulas pluricelulares não são apenas aglomerados de células semelhantes, mas órgãos definidos com arquitetura organizada, envoltos por uma cápsula conjuntiva que emite septos, dividindo-as em lobos.


-> Vasos sanguíneos e nervos penetram na glândula, fornecendo nutrientes e estímulos necessários ao seu funcionamento.




Glândula Hipófise (Pituitária) e Hipotálamo


-> A hipófise, também chamada de glândula pituitária, está localizada na base do encéfalo, em uma cavidade do osso esfenoide conhecida como sela túrcica.


-> Considerada a glândula-mestra, a hipófise produz diversos hormônios essenciais, que regulam funções do organismo e controlam a atividade de outras glândulas endócrinas.


-> O hipotálamo é a porção nervosa que controla a atividade endócrina da hipófise, funcionando como centro de integração entre o sistema nervoso e o sistema hormonal.


-> Apesar de seu pequeno tamanho, a hipófise se divide em duas partes principais:


-> Adeno-hipófise (anterior): responsável pela produção da maioria dos hormônios da hipófise.


-> Neuro-hipófise (posterior): armazena e libera hormônios produzidos pelo hipotálamo.




Hormônios da Adeno-Hipófise (Lobo Anterior da Hipófise)


-> A adeno-hipófise produz e libera hormônios que regulam diversas funções do corpo, desde o crescimento até a reprodução.


-> Hormônio Somatotrófico (GH ou Hormônio do Crescimento)


-> O hormônio do crescimento (GH) é o mais abundante da adeno-hipófise e atua no desenvolvimento dos tecidos, promovendo o alongamento dos ossos, a síntese de proteínas e o aumento da massa muscular.


-> Ele também aumenta a utilização de gorduras como fonte de energia e reduz a captação de glicose pelas células, elevando os níveis de glicose no sangue, o que pode predispor ao diabetes.


-> O GH é formado por cerca de 200 aminoácidos e exerce efeitos diretos e indiretos:


-> Diretos: estimula as células a absorverem aminoácidos e promoverem crescimento.


-> Indiretos: estimula o fígado a produzir mensageiros químicos que favorecem o crescimento de ossos e cartilagens.


-> Por esse motivo, o GH pode ser considerado hormônio trópico em algumas de suas ações.


-> Desequilíbrios na produção do GH podem causar:


-> Gigantismo hipofisário: excesso de GH em crianças, levando ao crescimento exagerado.


-> Nanismo hipofisário: deficiência de GH em crianças, resultando em estatura baixa.


-> Acromegalia: excesso de GH em adultos, causando crescimento anormal de extremidades, como mãos, pés, mandíbula e base do nariz.



Hormônio Estimulante da Tireoide (TSH)


-> O TSH estimula a tireoide a produzir e liberar seus hormônios.


-> A secreção de TSH é controlada pelo TRH (hormônio liberador de tireotropina) produzido pelo hipotálamo.


-> O nível de TSH é regulado por retroalimentação negativa: quando os hormônios tireoidianos estão altos no sangue, inibem a liberação de TRH, diminuindo a produção de TSH.


-> Não existe hormônio específico que iniba diretamente a secreção de TSH.




Hormônio Adrenocorticotrófico (ACTH)


-> O ACTH, ou corticotropina, controla a produção e a liberação de glicocorticoides pelo córtex das glândulas suprarrenais.


-> Estímulos relacionados ao estresse, como baixa glicemia ou traumatismos físicos, promovem a liberação de ACTH.


-> Os glicocorticoides, por sua vez, atuam em retroalimentação negativa, inibindo a secreção de ACTH quando seus níveis estão elevados.


-> Hormônio Folículo-Estimulante (FSH) e Hormônio Luteinizante (LH)


-> O FSH e o LH atuam sobre as gônadas, regulando a função reprodutiva em homens e mulheres.


Nas mulheres:


-> O FSH inicia o desenvolvimento de vários folículos ovarianos a cada ciclo menstrual.


-> O LH desencadeia a ovulação e, após a liberação do óvulo, estimula a formação do corpo lúteo, que secreta progesterona.


-> Ambos, FSH e LH, estimulam os folículos a produzirem estrógeno.


Nos homens:


-> O FSH estimula a produção de espermatozoides nos testículos.


-> O LH estimula a produção de testosterona pelos testículos.


-> A liberação de FSH e LH é controlada pelo GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) do hipotálamo.


-> Os níveis de estrógeno nas mulheres e de testosterona nos homens atuam em retroalimentação negativa, suprimindo a secreção de GnRH, FSH e LH quando necessário.




Prolactina (PRL)


-> A prolactina (PRL) é responsável por iniciar e manter a produção de leite pelas glândulas mamárias.


-> A ejeção do leite, no entanto, depende do hormônio ocitocina, que é liberado pela neuro-hipófise.


-> Nos homens, a função da prolactina ainda não é totalmente conhecida, mas a sua secreção excessiva pode causar disfunção erétil (incapacidade de ereção do pênis).


-> Nas mulheres, a liberação de prolactina é normalmente inibida pelo hormônio inibidor da prolactina (PIH).


-> Antes do início da menstruação, a secreção de PIH diminui, elevando levemente os níveis de prolactina, mas sem estimular a produção de leite.


-> Com o reinício do ciclo menstrual, o PIH volta a ser liberado e os níveis de prolactina caem.


-> Durante a gestação, altos níveis de estrógeno estimulam a produção do hormônio liberador de prolactina (PRH).


-> Por sua vez, hormônio liberador de prolactina (PRH) aumenta a liberação de prolactina, preparando o organismo para a lactação.




Hormônios da Neuro-Hipófise (Lobo Posterior da Hipófise)


-> A neuro-hipófise, embora não sintetize hormônios, é responsável por armazenar e liberar dois hormônios importantes: ocitocina e hormônio antidiurético (ADH).


-> Esses hormônios são produzidos no hipotálamo, dentro dos corpos celulares de células neurosecretoras, e acondicionados em vesículas secretoras.


-> A neuro-hipófise os libera na corrente sanguínea conforme a necessidade do organismo.


-> A ocitocina está associada principalmente à contração uterina durante o parto e à ejeção do leite.


-> O hormônio antidiurético (ADH) regula a retenção de água pelos rins, ajudando a controlar o equilíbrio hídrico do corpo.




Hormônio Antidiurético (ADH)


-> O hormônio antidiurético (ADH), também chamado de vasopressina, regula a quantidade de água reabsorvida pelos rins.


-> Quando a secreção de ADH aumenta, os rins retêm mais água, produzindo um pequeno volume de urina concentrada.


-> Quando a secreção de ADH diminui, os rins excretam um grande volume de urina diluída.


-> A hipófise posterior libera mais ADH sempre que a pressão arterial cai ou o sangue se torna muito concentrado.


-> Além disso, o ADH provoca constrição dos vasos sanguíneos, ajudando a elevar a pressão arterial.



Ocitocina


-> A ocitocina desempenha um papel fundamental no parto e na lactação:


-> Durante o trabalho de parto, a hipófise posterior libera ocitocina, estimulando as contrações uterinas que auxiliam na saída do bebê.


-> Na lactação, a sucção do bebê estimula nervos na mãe, promovendo a liberação de ocitocina, que facilita a ejeção do leite.


-> Além disso, a visão e os sons do bebê também podem desencadear essa liberação.


-> Nos homens e mulheres não grávidas, a função da ocitocina ainda não está completamente definida, mas estudos com animais sugerem que ela pode favorecer comportamentos de cuidado parental em relação à prole.


-> Antes da descoberta da ocitocina, era comum que as parteiras deixassem o gêmeo mais velho mamar para acelerar o nascimento do segundo bebê.


-> Hoje sabe-se que essa prática é eficaz porque a sucção estimula a liberação de ocitocina.


-> Mesmo após um parto único, a amamentação ajuda na expulsão da placenta e contribui para que o útero retorne ao tamanho normal.


-> Além disso, a ocitocina sintética é utilizada para induzir o trabalho de parto, aumentar o tônus uterino e controlar hemorragias imediatamente após o parto.




Glândula Tireoidea


-> Localizada na base do pescoço, próxima ao pomo-de-adão, encontra-se a glândula tireoide, uma importante glândula endócrina.


-> Ela é responsável pela produção dos hormônios T₃ (triiodotironina) e T₄ (tetraiodotironina ou tiroxina), que regulam o metabolismo corporal de forma geral.


-> Esses hormônios aumentam o metabolismo celular ao estimular processos oxidativos e a liberação de energia, elevando a taxa metabólica e a produção de calor.


-> Como quase todas as células do organismo possuem receptores para T₃ e T₄, seus efeitos abrangem praticamente todo o corpo.


-> As alterações na tireoide afetam os principais sistemas corporais e estão entre as doenças endócrinas mais frequentes.


-> O hipotireoidismo congênito, caracterizado pela deficiência de hormônios tireoidianos desde o nascimento, pode ter consequências graves se não tratado imediatamente, sendo chamado de cretinismo, que provoca retardo mental severo.


-> Ao nascer, o bebê costuma parecer normal, pois os hormônios lipossolúveis da mãe atravessam a placenta durante a gestação, permitindo o desenvolvimento adequado.


-> Por isso, muitos países exigem testes em todos os recém-nascidos para garantir o funcionamento correto da tireoide.


-> Caso seja detectado hipotireoidismo congênito, o tratamento hormonal deve começar imediatamente e continuar por toda a vida.


-> Quando surge na idade adulta, o hipotireoidismo provoca o mixedema, mais comum em mulheres.


-> Essa condição é marcada pelo edema intersticial, que causa inchaço nos tecidos, principalmente na face.


-> Os sintomas incluem frequência cardíaca reduzida, temperatura corporal baixa, sensibilidade ao frio, pele e cabelos secos, fraqueza muscular, letargia e tendência ao ganho de peso.


-> O hipertireoidismo, caracterizado pela produção excessiva de hormônios tireoidianos, acelera o metabolismo, aumenta a produção de calor e o apetite.


-> Seus sintomas incluem intolerância ao calor, suor excessivo, perda de peso mesmo com boa alimentação, insônia e nervosismo.


-> A forma mais comum é a doença de Graves, que ocorre principalmente em mulheres antes dos 40 anos e é uma condição autoimune.


-> Nela, o organismo produz anticorpos que imitam o hormônio estimulante da tireoide (TSH), estimulando continuamente a tireoide a crescer e produzir hormônios.


-> Isso pode aumentar o tamanho da glândula de duas a três vezes, formando o bócio, que também pode ocorrer por deficiência de iodo.


-> Pacientes com doença de Graves podem apresentar um inchaço característico atrás dos olhos, chamado exoftalmia.


-> Além de T₃ e T₄, a tireoide produz a calcitonina, secretada pelas células parafoliculares.


-> Esse hormônio ajuda a regular os níveis de cálcio no sangue, inibindo a liberação de cálcio dos ossos para o plasma e promovendo sua deposição óssea.


-> A calcitonina tem papel importante na prevenção da perda óssea em mulheres grávidas.


-> No entanto, a regulação do cálcio é mais dependente do paratormônio, produzido pelas paratireoides, e a importância da calcitonina na fisiologia normal ainda não está totalmente clara, já que sua ausência ou excesso nem sempre causa sintomas.


-> A miacalcina, forma da calcitonina extraída do salmão, é usada no tratamento de osteomalácia e osteoporose, doenças em que a destruição óssea supera a formação.


-> Esse medicamento reduz a perda óssea e aumenta a absorção de cálcio e fósforo pelos ossos.




Glândulas Paratireoides


-> Localizadas próximas à tireoide, os dois pares de glândulas paratireoides produzem e liberam o paratormônio (PTH).


-> O paratormônio (PTH) tem a função de regular os níveis de cálcio no sangue.


-> Esse mineral é essencial para o funcionamento adequado dos músculos e do sistema nervoso, além de participar do processo de coagulação sanguínea.


-> Os ossos são o principal reservatório de cálcio no organismo.


-> Portanto, quando ocorre queda nos níveis sanguíneos de cálcio (hipocalcemia), as paratireoides liberam PTH.


-> O PTH promove a retirada de cálcio dos ossos para aumentar sua concentração no sangue.


-> Se a ingestão de cálcio na dieta for insuficiente, a ação contínua do PTH pode causar desmineralização óssea excessiva, levando à fragilidade dos ossos.


-> Durante a gravidez, é especialmente importante que a mulher tenha uma alimentação rica em cálcio, já que o desenvolvimento fetal utiliza esse mineral, podendo resultar em fragilidade óssea ou dentária na gestante caso não haja reposição adequada.


-> O calcitriol (1,25 di-OH colecalciferol), forma ativa da vitamina D₃, também contribui para o aumento do cálcio no sangue.


-> Sua produção é estimulada pelo PTH, e ele atua no intestino, aumentando a absorção de cálcio proveniente dos alimentos.


-> Os níveis de cálcio no sangue controlam a secreção do PTH e da calcitonina por meio de feedback negativo, com esses hormônios exercendo efeitos opostos na regulação do cálcio plasmático.


-> O hipoparatireoidismo, ou deficiência de PTH, provoca baixos níveis de cálcio, causando despolarização de neurônios e fibras musculares.


-> Isso gera potenciais de ação espontâneos que resultam em contrações rápidas ou tetania (contração sustentada) dos músculos esqueléticos.


-> A causa mais comum dessa insuficiência é o dano acidental às paratireoides ou ao seu suprimento sanguíneo durante cirurgias para remoção da tireoide.




Glândulas Adrenais ou Suprarrenais

-> As glândulas suprarrenais estão localizadas sobre os rins e são divididas em duas regiões independentes – a medula e o córtex.


-> Cada uma dessas regiões secreta diferentes tipos de hormônios, funcionando, na prática, como duas glândulas distintas.



Córtex adrenal


-> As células do córtex utilizam colesterol para produzir três classes de hormônios esteroides, coletivamente chamados de corticosteroides:


-> Glicocorticoides: Regulam a concentração de glicose no sangue e influenciam o metabolismo de proteínas, gorduras e carboidratos.


-> O principal glicocorticoide é o cortisol, que atua de várias maneiras:



-> Degradação de proteínas: Aumenta a quebra de proteínas, especialmente nos músculos, liberando aminoácidos na corrente sanguínea.


-> Estes aminoácidos podem ser usados para síntese proteica ou produção de ATP.


-> Por exemplo, pessoas com anorexia apresentam níveis elevados de cortisol, resultando em perda de massa corporal devido à degradação proteica.


-> Gliconeogênese: Estimula o fígado a converter aminoácidos ou ácido láctico em glicose, fornecendo energia para células, como os neurônios.


-> Degradação de triglicerídeos: Promove a quebra de triglicerídeos no tecido adiposo, liberando ácidos graxos para produção de ATP.


-> Ação anti-inflamatória: Inibe células brancas envolvidas em respostas inflamatórias, sendo útil no tratamento de doenças inflamatórias crônicas. Contudo, pode retardar a cicatrização.


-> Depressão imunológica: Em doses elevadas, suprime a resposta imunológica, razão pela qual glicocorticoides são usados em receptores de transplantes e em doenças autoimunes, como psoríase.




-> Mineralocorticoides: Regem o equilíbrio de íons no fluido extracelular, principalmente sódio (Na⁺) e potássio (K⁺).


-> O principal hormônio desta classe é a aldosterona.


-> A aldosterona aumenta a reabsorção de sódio nos rins e promove a excreção de potássio, ajudando a manter a pressão e o volume sanguíneo.


-> A deficiência de glicocorticoides e aldosterona causa a doença de Addison, caracterizada por fraqueza, anorexia, náuseas, perda de peso, hipoglicemia e hipotensão.


-> A falta de aldosterona provoca acúmulo de potássio e redução de sódio no sangue, podendo levar a desidratação, queda do débito cardíaco e até parada cardíaca.


-> Esta doença afetou o ex-presidente americano John F. Kennedy, embora fosse pouco conhecida na época.




-> Andrógenos: Estimulam o desenvolvimento sexual e a função reprodutiva.


-> Tanto em homens quanto em mulheres, o córtex suprarrenal produz pequenas quantidades de andrógenos fracos.


-> Nos homens, após a puberdade, os testículos liberam andrógenos em maior quantidade, tornando os suprarrenais secundários nesse aspecto.


-> Nas mulheres, entretanto, os andrógenos suprarrenais têm efeitos mais relevantes, contribuindo para a libido e sendo convertidos em estrógenos.


-> Após a menopausa, todos os estrógenos femininos derivam dessa conversão de andrógenos suprarrenais.




Medula Suprarrenal


-> A medula das glândulas suprarrenais produz epinefrina (adrenalina) e norepinefrina (noradrenalina) em situações de estresse, preparando o organismo para reagir rapidamente.


-> A epinefrina eleva a frequência cardíaca, a respiração e a pressão arterial, além de direcionar o fluxo sanguíneo para os músculos esqueléticos, reduzindo-o em órgãos como o intestino.


-> Essas respostas de “luta ou fuga” podem ser desencadeadas tanto por ameaças físicas, como um assalto, quanto por situações mentalmente desafiadoras, como falar em público ou fazer uma prova importante.


-> A epinefrina e a norepinefrina se ligam a receptores presentes na superfície das células-alvo, que se dividem em dois tipos principais: receptores alfa-adrenérgicos e beta-adrenérgicos, cada um com pelo menos dois subtipos.


-> Esses receptores estimulam diferentes respostas dentro da célula.


-> A epinefrina atua em ambos os tipos de receptores de forma ampla, enquanto a norepinefrina age principalmente sobre os receptores alfa-adrenérgicos.


-> Por isso, medicamentos conhecidos como betabloqueadores.


-> Os betabloqueadores bloqueiam seletivamente os receptores beta-adrenérgicos, podem reduzir os efeitos da epinefrina durante a resposta de “luta ou fuga”, sem interferir na função regulatória da norepinefrina.




Pâncreas Endócrino


-> O pâncreas é uma glândula mista, ou anfícrina, pois possui duas funções: a exócrina e a endócrina.


-> A exócrina produz o suco pancreático liberado no duodeno.


-> A endócrina é responsável pela síntese e liberação de hormônios


-> A parte endócrina do pâncreas está nas ilhotas pancreáticas (ou ilhotas de Langerhans), onde se encontram as células que produzem insulina (células beta) e glucagon (células alfa).


-> Esses hormônios trabalham juntos para regular os níveis de glicose no sangue.


-> A insulina tem efeito hipoglicemiante, favorecendo a entrada de glicose em células que dependem do hormônio, como músculos e adipócitos, e estimulando a formação de glicogênio a partir da glicose para armazenamento no fígado e nos músculos, processo conhecido como glicogênese.


-> Já o glucagon atua quando a glicose sanguínea está baixa, promovendo a quebra do glicogênio hepático em glicose (glicogenólise) e liberando-a na corrente sanguínea.


-> Por isso, enquanto a insulina diminui a glicose no sangue, o glucagon aumenta seus níveis.


-> Por exemplo, a sensação de fome que desaparece temporariamente durante o jejum está relacionada à ação do glucagon.


-> O diabetes mellitus é caracterizado por uma alteração na regulação da glicose sanguínea.


-> Isso pode ocorrer devido à incapacidade do pâncreas de produzir insulina, produção insuficiente ou falha nos receptores celulares que deixam de reconhecer o hormônio.


-> Como consequência, a glicose no sangue se eleva (hiperglicemia).


-> Entre os sintomas do diabetes estão a eliminação de glicose pela urina (glicosúria) e aumento da micção, provocando sede intensa.


-> A baixa captação de glicose pelas células também gera fome excessiva (polifagia).


-> A hiperglicemia não controlada pode causar neuropatias, retinopatia (que pode levar à perda de visão), problemas cardíacos e renais.


-> O tratamento envolve monitoramento dos níveis de glicose, administração de insulina, dieta controlada e exercícios físicos, sempre sob supervisão médica.




Glândula Pineal


-> A glândula pineal está localizada entre os hemisférios cerebrais, presa a uma pequena haste.


-> Ela produz o hormônio melatonina, a partir do aminoácido triptofano.


-> Em muitos vertebrados, a melatonina regula o ritmo biológico e a fotoperiodicidade.


-> O ritmo biológico e a fotoperiodicidade é a capacidade de alterações na duração dos dias influenciarem processos fisiológicos, como a reprodução em certas espécies que se tornam sexualmente ativas quando os dias ficam mais longos.


-> Nos seres humanos, embora não sejamos fotoperiódicos, a melatonina tem um papel importante na sincronização do ritmo circadiano, ajustando atividades fisiológicas e comportamentais ao ciclo natural de luz e escuridão.


-> O transtorno afetivo sazonal (TAS) é um tipo de depressão que ocorre em algumas pessoas durante o inverno, quando os dias são mais curtos.


-> Acredita-se que esse distúrbio esteja parcialmente relacionado à superprodução de melatonina.


-> Uma das formas de tratamento é a fototerapia, que consiste na exposição repetida à luz artificial, proporcionando alívio dos sintomas.




Gônadas


-> As gônadas — testículos nos homens e ovários nas mulheres — têm dupla função: produzir hormônios e gerar gametas.


-> Muitos desses hormônios são esteroides derivados do colesterol.


-> Nos homens, os esteroides são chamados andrógenos, sendo a testosterona o mais importante.


-> Nas mulheres, os principais esteroides são os estrógenos e a progesterona, com o estradiol sendo o estrógeno predominante.


-> O papel fisiológico desses hormônios será detalhado nas aulas sobre os sistemas reprodutores.


-> Curiosamente, alterações hormonais não afetam apenas as gestantes.


-> Estudos mostram que futuros pais também passam por mudanças hormonais antes e depois do nascimento do bebê.


-> Um estudo da Universidade de Ontário, no Canadá, publicado na revista Scientific American, avaliou 23 homens cujas parceiras estavam no primeiro trimestre de gestação e 14 homens que não eram pais.


-> Foram coletadas amostras de saliva para medir os níveis de testosterona, cortisol e estradiol.


-> Os futuros pais apresentaram níveis mais baixos de testosterona e cortisol.


-> No entanto, registraram aumento nos níveis de estradiol, indicando alterações hormonais significativas durante a expectativa da paternidade.


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