Equinodermos



-> Os equinodermos (do grego echinos, espinho; dermatos, pele) são um grupo de animais exclusivamente marinhos.


-> As primeiras formas conhecidas de equinodermos datam do Período Cambriano, há cerca de 505 a 500 milhões de anos.


-> Muitos grupos desse filo estão extintos, o que os torna importantes para o estudo da sucessão das camadas geológicas.


-> Atualmente, o filo Echinodermata inclui mais de 6.000 espécies descritas, distribuídas entre diferentes classes:


-> Asteroidea – estrelas-do-mar


-> Echinoidea – ouriços-do-mar e bolachas-da-praia


-> Holothuroidea – pepinos-do-mar


-> Crinoidea – lírios-do-mar


-> Ophiuroidea – serpentes-do-mar


-> Os equinodermos são animais de vida livre, geralmente carnívoros ou detritívoros, muitas vezes protegidos por espinhos salientes, característica que dá origem ao nome zoológico do grupo.



Características Gerais


-> São celomados, ou seja, possuem um celoma verdadeiro.


-> O celoma se forma a partir de dobras ou evaginações do teto do intestino primitivo (arquêntero) durante a formação da mesoderme, o que significa que sua origem é enterocélica.




Características gerais

-> Os equinodermos são animais celomados. Seu celoma surge a partir de dobras ou evaginações da parte superior do intestino primitivo (arquêntero), durante a formação da mesoderme.


-> Por isso, diz-se que o celoma é de origem enterocélica.


-> Já nos moluscos e nos artrópodes, o celoma tem origem esquizocélica, pois se desenvolve a partir de fendas abertas em blocos compactos de mesoderma.


-> O blastóporo dá origem ao ânus, enquanto a boca aparece em outra região do embrião, como uma nova formação.


-> Essa característica classifica os equinodermos como deuterostômios.


-> O esqueleto dos equinodermos é interno (endoesqueleto), sendo formado pela derme, que se origina da mesoderme, e recoberto pela epiderme.



Classificação

-> Os equinodermos estão distribuídos em cinco classes, definidas de acordo com as diferenças na estrutura externa do corpo: Asteroidea, Echinoidea, Crinoidea, Holothuroidea e Ophiuroidea.



Classe Asteroidea


-> As estrelas-do-mar, comuns em praticamente todas as regiões costeiras marinhas, pertencem à classe Asteroidea.


-> Elas podem ser encontradas desde a faixa das marés até grandes profundidades.


-> Seu corpo apresenta um disco central e cinco braços, embora a separação entre essas partes não seja bem definida.


-> Na superfície aboral (oposta à boca), existem numerosos espinhos que fazem parte do esqueleto.


-> Além deles, surgem pequenas estruturas moles chamadas pápulas.


-> As pápulas se projetam da cavidade interna e auxiliam tanto na respiração quanto na excreção.


-> Entre as pápulas e ao redor dos espinhos encontram-se as pedicelárias, estruturas em forma de pinça que removem detritos da superfície corporal e também podem ajudar na captura de alimento.


-> O ânus é uma pequena abertura localizada próxima ao centro da região aboral, perto do canal madrepórico.


-> Na região oral (voltada para baixo), localiza-se a boca.


-> As estrelas-do-mar são carnívoras e alimentam-se de organismos como anêmonas e moluscos.


-> Quando capturam um molusco bivalve, evertam (viram para fora) o estômago, liberando-o sobre a presa para iniciar a digestão.


-> Depois de algum tempo, o estômago retorna para dentro do corpo, levando consigo o alimento parcialmente digerido, onde a digestão é finalizada.


-> Os restos não aproveitados são eliminados pela boca, já que tanto o intestino quanto o ânus são pouco funcionais nesses animais.




Classe Echinoidea


-> Nessa classe estão incluídos os ouriços-do-mar e as bolachas-da-praia.


-> Os ouriços apresentam corpo arredondado, enquanto as bolachas possuem corpo achatado.


-> O esqueleto dos equinoides é formado por placas de calcário fundidas, formando uma carapaça rígida e interna.


-> Os equinoides não possuem braços.


-> O ânus localiza-se na região central da superfície aboral, enquanto a boca, de grande tamanho, fica na região oral.


-> Dentro dela há cinco dentes robustos sustentados por uma estrutura complexa de cinco lados, chamada lanterna de Aristóteles.


-> O tubo digestivo é longo e bastante enrolado dentro da carapaça.


-> A locomoção desses animais ocorre com a ajuda dos espinhos e dos pés ambulacrários.




Classe Crinoidea


-> Os representantes dessa classe são os lírios-do-mar, equinodermos que lembram flores.


-> Eles habitam desde regiões logo abaixo da maré baixa até as grandes profundidades oceânicas.


-> Seu corpo apresenta cinco braços delgados, que logo na base se ramificam.


-> Tanto a boca quanto o ânus encontram-se na região oral.


-> Das espécies atuais, cerca de 80 são sésseis, ou seja, vivem fixas no fundo do mar ou em recifes de corais, formando extensos “jardins submarinos”.



Classe Holothuroidea


-> Nesta classe estão os pepinos-do-mar.


-> Diferentemente da maioria dos equinodermos, possuem corpo alongado e delgado, disposto ao longo do eixo oral-aboral. Seu tubo digestório é longo e estreito.


-> Da cloaca partem dois tubos muito ramificados, chamados árvores respiratórias.


-> As árvores respiratórias bombeiam água para dentro e para fora, auxiliando tanto na respiração quanto na excreção.


-> Algumas espécies possuem o órgão de Cuvier, ligado ao reto.


-> Quando atacadas, liberam esse órgão para fora do corpo, formando uma massa pegajosa que prende o predador.


-> Assim, conseguem escapar e, depois, regeneram o órgão perdido.


-> Outras espécies podem até romper parte do próprio corpo e expelir diversos órgãos, que mais tarde são regenerados.



Classe Ophiuroidea


-> Os ofiuroides, conhecidos como serpentes-do-mar, apresentam um disco central bem separado dos cinco braços, que são longos, finos e muito flexíveis.


-> Diferentemente de outros equinodermos, os pés ambulacrários não servem para a locomoção, mas sim para auxiliar na respiração e no transporte de alimento até a boca.


-> O deslocamento ocorre pelo movimento dos próprios braços, que se apoiam em objetos e impulsionam o corpo.


-> Esses animais não possuem pedicelárias nem brânquias dérmicas.


-> Todos os órgãos digestivos e reprodutivos ficam no disco central.


-> O estômago é em forma de saco e não há ânus; por isso, os resíduos da digestão são eliminados pela boca.


-> O canal madrepórico localiza-se na região oral.




Anatomia e Fisiologia


Sistema Ambulacrário


-> O sistema ambulacrário, também chamado de sistema aquífero ou hidrovascular, é exclusivo dos equinodermos.


-> Ele é formado por canais, ampolas e pés ambulacrários, desempenhando funções essenciais como a locomoção, a respiração, a captura de alimento e também a sensibilidade ao meio.


-> O funcionamento começa quando a água do mar entra pelos poros da placa madrepórica, localizada próxima ao ânus.


-> Dessa placa, a água é conduzida para o canal pétreo, que faz a conexão com o canal circular.


-> A partir do canal circular, a água é distribuída para os canais radiais, que percorrem todo o corpo do animal.


-> Ao longo dos canais radiais existem ampolas ligadas aos pés ambulacrários.


-> Quando a musculatura das ampolas se contrai, a água é forçada para dentro dos pés ambulacrários, provocando sua extensão.


-> Em seguida, a musculatura relaxa e os pés se retraem.


-> Esse movimento alternado de extensão e contração é o que garante, principalmente, a locomoção dos equinodermos.



Sistema Digestório


-> O sistema digestório dos equinodermos é completo, com a boca localizada na face oral e o ânus na face aboral.


-> Entre os equinoides (ouriços-do-mar), há estruturas semelhantes a “dentes” que circundam a boca e, juntas, formam uma mandíbula interna conhecida como lanterna de Aristóteles.


-> O tubo digestório é constituído por um esôfago curto, um estômago e um intestino, que se abre no ânus.


-> Os hábitos alimentares variam conforme a espécie:


-> Ouriços-do-mar: alimentam-se de algas marinhas, pequenos animais e detritos orgânicos.


-> Estrelas-do-mar: são carnívoras, consumindo corais, anêmonas e até outros equinodermos.


-> A forma de digestão também difere entre os grupos.


-> O ouriço-do-mar tritura o alimento, que depois é processado por enzimas liberadas pelas células intestinais.


-> Já a estrela-do-mar everte o estômago, projetando-o para fora da boca, de modo que entre em contato direto com a presa.


-> Nos ofiuroides, o sistema digestório é bastante simplificado, reduzindo-se a um estômago em fundo cego, sem intestino e sem ânus.


-> Nos crinoides, tanto a boca quanto o ânus se localizam na região oral, já que esses animais permanecem fixos ao substrato pela região aboral.



Sistema Circulatório


-> Os equinodermos não possuem um sistema circulatório verdadeiro.


-> A função mais próxima a essa é desempenhada pelo sistema ambulacrário (hidrovascular), responsável pela circulação de água, nutrientes e gases pelo corpo.



Sistema Excretório


-> Os equinodermos não possuem um sistema excretório definido.


-> Em algumas espécies, essa função é realizada pelas brânquias (como ocorre em certos ouriços-do-mar).


-> Em outros casos, a excreção é feita pelos amebócitos presentes no líquido celômico perivisceral.


-> Esses amebócitos têm a capacidade de fagocitar substâncias e transportá-las do celoma para os tecidos vizinhos.



Sistema Respiratório


-> As trocas gasosas variam entre os diferentes grupos de equinodermos:


-> Nos ouriços-do-mar, ocorre por meio de brânquias: existem dez pequenas estruturas localizadas ao redor da boca, responsáveis por absorver oxigênio da água e transferi-lo para o fluido celômico.


-> Em outros grupos, a respiração se dá pelas papilas respiratórias, que são expansões delicadas situadas entre os espinhos, muito semelhantes às brânquias.



Sistema Nervoso


-> O sistema nervoso dos equinodermos é formado por um anel nervoso em torno da boca, de onde partem cinco nervos radiais.


-> Esses nervos radiais se ramificam e percorrem todo o corpo.


-> O sistema sensorial é simples, composto por poucos receptores químicos e táteis localizados ao redor da boca e nos pés ambulacrários.


-> Apesar de não possuírem cérebro nem gânglios, os equinodermos conseguem coordenar seus movimentos, capturar alimentos e até retornar à posição original quando são virados.



Reprodução, Regeneração e Autotomia


-> Nos equinodermos, em geral, os sexos são separados (espécies dioicas).


-> Nas estrelas-do-mar, existe um par de gônadas que se estende ao longo de cada espaço inter-radial.


-> No início do verão, ocorre a liberação de óvulos e espermatozoides na água do mar, onde acontece a fecundação externa.


-> O desenvolvimento é indireto, com a formação de uma larva bilateralmente simétrica, ciliada e de vida planctônica, que nada com a extremidade anterior voltada para a frente.


-> O primeiro estágio larval é a bipinária, que depois evolui para a braquiolária, medindo de 2 a 3 mm de comprimento.


-> Nesse estágio surgem os compartimentos celomáticos: os somatoceles (metaceles), os axoceles (protoceles) e os hidroceles (mesoceles).


-> Para aumentar as chances de fecundação, os gametas liberados por um indivíduo estimulam os outros a também liberar seus gametas, sincronizando o processo.


-> Uma característica marcante dos equinodermos é sua grande capacidade de regeneração.


-> Nas estrelas-do-mar, por exemplo, um corpo fragmentado pode originar duas ou mais estrelas completas, sendo considerado um tipo de reprodução assexuada.


-> Além disso, as estrelas-do-mar podem realizar autotomia, ou seja, descartar um braço danificado próximo à base.


-> Esse braço perdido pode ser regenerado ao longo de vários meses.


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