-> O filo Arthropoda (do grego arthrom, articulação; pous, podos, pé) reúne animais que possuem apêndices articulados, característica que dá origem ao seu nome.
-> É o grupo mais diverso do reino animal, englobando cerca de um milhão de espécies vivas, o que corresponde a aproximadamente 75% das já registradas.
-> Restos fósseis desses organismos foram identificados em rochas datadas do Pré-Cambriano, entre 570 milhões e 4,6 bilhões de anos atrás, período em que provavelmente surgiu o exoesqueleto quitinoso.
-> Essa estrutura proporcionava proteção contra predadores, sustentação para a musculatura e evitava a desidratação em espécies terrestres, além de outras vantagens adaptativas.
-> Uma peculiaridade ligada ao exoesqueleto é que os artrópodes só conseguem crescer realizando mudas ou ecdises, processo regulado por hormônios.
-> De modo geral, acredita-se que os artrópodes tenham se originado a partir dos anelídeos, antes do Período Cambriano.
Características gerais dos artrópodes
-> São animais triblásticos, celomados e com simetria bilateral.
-> Quanto à origem do celoma, são esquizocelomados, e quanto ao destino do blastóporo, são classificados como protostômios.
-> O corpo apresenta segmentação, dividido em cabeça, tórax e abdômen.
-> Porém, em muitos grupos ocorre a fusão dos segmentos (metâmeros), formando estruturas chamadas tagmas.
-> Em certos crustáceos, a união dos metâmeros anteriores e intermediários forma o cefalotórax;
-> Já em outros artrópodes, a fusão dos segmentos intermediários e posteriores origina o tronco.
-> Estão distribuídos por praticamente toda a biosfera, desde as grandes profundezas marinhas (mais de 9.500 metros) até altas montanhas (acima de 6.000 metros de altitude).
-> São animais geralmente ativos, com grande consumo e transformação de energia.
-> Ocupam uma enorme variedade de nichos alimentares: podem ser herbívoros, carnívoros, onívoros, parasitas, coloniais, gregários ou competidores, entre outros.
-> Possuem músculos estriados, capazes de movimentos rápidos.
-> Muitos apresentam colorido de proteção ou padrões de mimetismo que ajudam na defesa contra predadores.
-> Entre os fatores que favoreceram o sucesso evolutivo do grupo destacam-se: a presença do exoesqueleto quitinoso, a respiração aérea e, em algumas espécies, a capacidade de voar.
Exoesqueleto, apêndices e muda (ecdise)
-> Os artrópodes possuem um exoesqueleto rígido e articulado, formado principalmente por quitina (um polissacarídeo nitrogenado), com a adição de carbonato de cálcio e fosfatos, o que garante dureza e resistência.
-> Essa estrutura oferece proteção aos órgãos internos, atua como suporte e ponto de fixação para os músculos, possibilita o funcionamento de alavancas entre as partes móveis e ainda evita a perda excessiva de líquidos.
-> O sistema muscular estriado desses animais utiliza o exoesqueleto como apoio, permitindo contrações rápidas e eficientes.
-> A combinação entre exoesqueleto e musculatura favoreceu uma grande diversidade de movimentos, o que se reflete nas várias funções exercidas pelos apêndices articulados.
-> Esses apêndices podem atuar na mastigação mecânica dos alimentos, no ato de cavar, na sucção de néctar, entre outras funções.
-> Já as antenas funcionam como órgãos sensoriais, ligados ao tato e ao olfato.
-> Por ser inflexível, o exoesqueleto impede o crescimento contínuo.
-> Assim, o artrópode precisa trocá-lo periodicamente em um processo chamado muda ou ecdise.
-> Durante esse processo, a epiderme se separa do exoesqueleto antigo e começa a produzir um novo.
-> Quando o novo exoesqueleto está formado, o antigo se rompe na parte dorsal, permitindo que o animal saia dele e aumente de tamanho.
-> Depois disso, o novo exoesqueleto endurece, interrompendo novamente o crescimento.
-> O crescimento e o desenvolvimento são regulados por hormônios, especialmente a ecdisona (hormônio da muda).
-> No ciclo de vida, os artrópodes realizam de quatro a sete mudas até atingirem a fase adulta.
-> Esse processo faz com que apresentem um crescimento descontínuo, diferente da maioria dos outros animais, que têm crescimento progressivo e contínuo.
Classificação
-> A forma de classificar os artrópodes pode variar conforme a hipótese filogenética considerada.
-> Entre os critérios usados estão: a organização do corpo, o número e o tipo de apêndices e a presença e quantidade de antenas.
-> Na classificação moderna, o filo Arthropoda é dividido em três subfilos: Uniramia, Chelicerata e Crustacea.
Subfilo Uniramia
-> O nome Uniramia (do latim unus, um; ramus, ramo) refere-se ao fato de seus apêndices apresentarem um único ramo.
-> Esse grupo inclui as classes Diplopoda, Chilopoda e Insecta. Os diplópodes e quilópodes são chamados em conjunto de miriápodes.
Classe Diplopoda
-> Os diplópodes (do grego diploos, duplo; pous/podos, pé) abrangem os conhecidos piolhos-de-cobra ou milípedes.
-> O termo "milípedes" significa “mil pés”, embora o número real de pernas seja bem menor.
-> Eles apresentam muitos apêndices porque cada segmento abdominal é formado pela fusão de dois metâmeros, resultando em dois pares de pernas por segmento.
-> Esses animais vivem, em geral, em locais úmidos e em ambientes com matéria orgânica em decomposição.
-> Seu corpo é dividido em três tagmas: cabeça, tórax e abdômen.
-> A cabeça possui um par de antenas.
-> O tórax é formado por 4 metâmeros, cada um com um par de pernas.
-> O abdômen, maior tagma do corpo, pode ter de 35 a 100 metâmeros.
Classe Chilopoda
-> Os quilópodes (do grego cheilos, margem/lábio; pous/podos, pé) possuem um número variável de metâmeros, cada um com um par de pernas e um par de antenas longas.
-> O corpo é dividido em cabeça e tronco alongado, que pode chegar a 30 cm de comprimento, formado por uma série de anéis.
-> A respiração é feita por meio de traqueias.
-> A excreção ocorre através dos túbulos de Malpighi.
-> O sistema circulatório é aberto.
-> O sistema nervoso é ganglionar e ventral.
-> São animais dioicos (sexos separados), com fecundação interna e desenvolvimento direto.
Classe Insecta
-> A classe Insecta (do latim insectum, cortado, segmentado) é a mais numerosa e diversificada do filo Arthropoda.
-> Uma das principais razões do seu sucesso evolutivo é a capacidade de voar, o que lhes garante maior mobilidade para encontrar alimento, alcançar novos habitats, buscar abrigo e fugir de predadores, além de favorecer uma ampla dispersão.
-> O corpo dos insetos é dividido em três tagmas: cabeça, tórax e abdômen.
-> Cabeça: formada pela fusão de seis metâmeros, apresenta um par de antenas, um par de olhos compostos, três ocelos (olhos simples) e peças bucais especializadas, incluindo um par de mandíbulas, um par de maxilas e um lábio, que corresponde ao segundo par de mandíbulas fundido.
-> Tórax: dividido em três segmentos (protórax, mesotórax e metatórax), cada um com um par de pernas, totalizando seis pernas, característica que define os insetos como hexápodes.
-> Abdômen: possui entre 9 e 11 segmentos, geralmente não fundidos.
-> Na extremidade posterior do abdômen encontra-se a genitália externa, que inclui o ovipositor, estrutura usada pelas fêmeas para a postura dos ovos.
-> Exemplo: o gafanhoto
-> O gafanhoto é um bom exemplo para compreender as características dos insetos.
-> Sua cabeça resulta da fusão de seis metâmeros articulados e possui:
-> Há ainda na cabeça um par de antenas articuladas, cobertas por cerdas sensoriais;
-> Há também na cabeça um par de olhos compostos, grandes e laterais, formados por milhares de omatídios;
-> Há ainda na cabeça três ocelos;
-> Tem também na cabeça peças bucais adaptadas à mastigação.
-> O tórax apresenta dois pares de asas:
-> no mesotórax, há um par de asas coriáceas, chamadas tégminas, que funcionam como proteção;
-> no metatórax, há um par de asas membranosas, usadas para o voo.
-> No abdômen, localizam-se os espiráculos, pequenas aberturas externas ligadas ao sistema traqueal e responsáveis pela respiração.
-> O último segmento abdominal é especializado na reprodução, abrigando a genitália masculina e feminina, além do ovipositor nas fêmeas.
A importância dos insetos
-> Os insetos desempenham papéis essenciais nos ecossistemas e também na vida humana.
-> Muitas espécies são fundamentais para a polinização de flores de angiospermas (processo chamado entomofilia), contribuindo tanto para a produtividade agrícola quanto para a variabilidade genética das plantas, por meio da polinização cruzada.
-> A forma e a disposição do perianto (sépalas e pétalas) estão diretamente relacionadas à adaptação sensorial de certos insetos polinizadores.
-> Além disso, os insetos constituem fonte de alimento para aves, peixes e diversos outros animais.
-> Também são importantes no controle biológico de pragas.
-> Alguns, como as abelhas, produzem mel, geleia real e cera, aproveitados pelo ser humano. Insetos necrófagos ainda participam da decomposição de organismos mortos, alimentando-se de carcaças onde depositaram seus ovos.
-> Por outro lado, existem espécies que causam prejuízos e riscos: algumas atacam plantas e fungos; outras são hematófagas (sugadoras de sangue) e vetoras de doenças.
-> Há ainda aquelas que causam danos domésticos, como as traças, que destroem tecidos, e os cupins, que danificam estruturas de madeira.
-> Certas larvas de Lepidoptera (borboletas e mariposas), como as taturanas do gênero Lonomia, apresentam cerdas pontiagudas com veneno no dorso, capazes de provocar intoxicações e hemorragias que, em casos graves, podem levar à morte.
-> O bicho-da-seda (Bombyx mori), larva de uma espécie de mariposa que se alimenta de folhas de amoreira, é utilizado na produção de seda, matéria-prima para a fabricação de tecidos finos.
-> Outro exemplo notável é a mosca-das-frutas (Drosophila melanogaster), amplamente empregada em pesquisas genéticas, por ser diplóide com apenas quatro pares de cromossomos, apresentar cromossomos gigantes nas glândulas salivares das larvas (fáceis de observar ao microscópio) e possuir características fenotípicas bem visíveis, o que facilita os estudos científicos.
Subfilo Chelicerata
-> O nome Chelicerata vem do grego chele (garra) e keros (chifre), em referência às quelíceras, um par de apêndices localizados na região cefálica e usados para capturar alimento.
-> O corpo dos quelicerados geralmente está dividido em dois tagmas: o cefalotórax (ou prossoma) e o abdômen (opistossoma).
-> Eles possuem seis pares de apêndices: um par de quelíceras, um par de pedipalpos e quatro pares de pernas locomotoras.
-> Diferente de outros artrópodes, não possuem antenas nem mandíbulas.
-> Suas peças bucais e o trato digestório são adaptados para a sucção de alimentos líquidos.
-> A respiração pode ocorrer por meio de pulmões foliáceos, traqueias ou brânquias foliáceas.
-> A excreção é feita por túbulos de Malpighi, glândulas coxais ou ambos.
-> O sistema nervoso é formado por gânglios dorsais e, na maioria dos casos, os sexos são separados.
-> Os quelicerados são em sua maioria terrestres e de vida livre, com maior diversidade em regiões quentes e secas.
-> Entre seus representantes mais conhecidos estão aranhas, escorpiões, ácaros e carrapatos.
-> Esse subfilo inclui três classes: Merostomata, Pycnogonida, Arachnida
-> Merostomata – representada apenas pelos caranguejos-ferradura, animais de corpo protegido por uma carapaça rígida, encontrados na costa noroeste do Atlântico e no Golfo do México.
-> Pycnogonida – inclui as chamadas aranhas-do-mar (como a Pantopoda), que vivem desde regiões litorâneas até grandes profundidades. Normalmente possuem 4 pares de pernas, mas algumas espécies apresentam 5 ou 6 pares.
-> Arachnida – grupo mais abundante, composto por organismos predadores e muitas vezes canibais, amplamente distribuídos em ambientes terrestres.
Aranhas (Classe Arachnida)
-> As aranhas têm o corpo dividido em prossoma (cefalotórax) e opistossoma (abdômen), unidos por uma estreita ligação chamada pedúnculo.
-> Possuem de 5 a 8 olhos simples e um par de quelíceras afiadas, que servem para injetar veneno e paralisar suas presas.
-> Durante a alimentação, a aranha injeta sucos digestivos, produzidos por glândulas salivares, que penetram nos tecidos da presa através dos ferimentos causados pelas quelíceras.
-> Esses líquidos iniciam a digestão externa, permitindo que o animal sugue o alimento parcialmente digerido.
-> No prossoma, há um par de pedipalpos, que auxiliam a manipular a presa e também funcionam como órgãos gustativos, além de quatro pares de pernas locomotoras.
-> Na extremidade do abdômen localizam-se as fiandeiras (ou espinaretas), estruturas ligadas às glândulas de seda, responsáveis pela produção das teias, usadas para captura de presas e construção de abrigos.
Subfilo Crustacea
-> Os crustáceos (do latim crusta, crosta ou carapaça dura) formam um grupo de artrópodes em sua maioria aquáticos, como camarões, siris, caranguejos, lagostas, pulgas-d’água e cracas.
-> Contudo, também existem espécies terrestres, como o tatuzinho-de-jardim.
-> O corpo desses animais geralmente é dividido em cefalotórax e abdômen.
-> No cefalotórax, encontram-se dois pares de antenas, responsáveis pelo tato e pelo olfato;
-> Nos cefalotórax também há um par de mandíbulas, que atuam na mastigação; dois pares de maxilas, que auxiliam na alimentação; e três pares de maxilípedes, usados para manipular o alimento e levá-lo até a boca.
-> A respiração ocorre por meio de brânquias, protegidas pelo exoesqueleto.
-> A excreção é realizada pelas chamadas glândulas verdes ou antenares, que filtram as excretas do sangue e as eliminam por aberturas localizadas na base das antenas.
-> O sangue possui pigmentos respiratórios, como a hemocianina.
-> O sistema nervoso conta com órgãos sensoriais nas antenas, na boca e nos olhos compostos.
-> A maioria das espécies apresenta sexos separados, mas há casos de hermafroditismo, como nas cracas, e em algumas espécies pode ocorrer partenogênese.
-> Entre os principais representantes estão camarões, lagostas, caranguejos e siris.
-> Além da divisão em cefalotórax e abdômen, eles possuem dois pares de antenas.
-> O exoesqueleto é formado por quitina endurecida por sais de cálcio, formando uma carapaça resistente.
-> O camarão é um bom exemplo para entender melhor a anatomia dos crustáceos.
-> Seu cefalotórax resulta da fusão da cabeça com o tórax e apresenta um par de antênulas e um par de antenas, que auxiliam no equilíbrio, no tato e no paladar, além de peças bucais.
-> O quarto segmento traz um par de mandíbulas fortes para triturar o alimento;
-> O quinto e o sexto segmentos possuem um par de maxilas, responsáveis por manipular e encaminhar o alimento até a boca.
-> Além disso, há três pares de maxilípedes, que transferem o alimento para as maxilas e mandíbulas.
-> Nos cinco segmentos seguintes, cada um possui um par de patas natatórias chamadas pleópodes, usadas tanto para caminhar quanto para nadar.
-> O último segmento abdominal apresenta os urópodes, em formato de remo, e o télson, uma estrutura semelhante a uma cauda, ambos adaptados para a locomoção na água.
Anatomia e Fisiologia – Sistema Digestório
-> Nos artrópodes, a boca localiza-se na região ventral e é cercada por apêndices que auxiliam na alimentação.
-> Nos insetos, destacam-se as mandíbulas, adaptadas para cortar e triturar os alimentos, e as maxilas, que complementam esse processo.
-> Entre os crustáceos, os apêndices da cabeça e do tórax se especializaram para atuar nas etapas iniciais da fragmentação do alimento.
-> Já nos aracnídeos, aparecem estruturas como as quelíceras e os pedipalpos.
-> As quelíceras podem capturar e dilacerar presas ou até injetar veneno, como ocorre nas aranhas.
-> Em espécies parasitas, como carrapatos e ácaros, elas servem para perfurar tecidos vegetais ou animais.
-> Os pedipalpos, semelhantes a patas curtas, geralmente têm função sensorial, mas em escorpiões e alguns outros grupos estão bastante desenvolvidos, formando pinças fortes na extremidade.
-> A digestão nos artrópodes ocorre fora das células (digestão extracelular).
-> As enzimas digestivas são produzidas pela parede intestinal e também por órgãos anexos, como o hepatopâncreas e os cecos gástricos.
-> Após a ação das enzimas, os nutrientes são absorvidos pelas células do intestino e distribuídos pelo corpo através do sistema circulatório.
-> Os resíduos não aproveitados são eliminados pelo ânus.
Sistema Circulatório
-> O sistema circulatório dos artrópodes é aberto ou lacunar, semelhante ao encontrado em alguns moluscos.
-> O coração, localizado dorsalmente, bombeia a hemolinfa em direção à parte anterior do corpo, de onde ela se espalha por lacunas e espaços corporais, permitindo trocas lentas com os tecidos.
-> A hemolinfa retorna ao coração por meio de óstiolos, pequenos orifícios laterais presentes nas paredes do órgão.
-> Nos insetos, o sistema circulatório não participa do transporte de gases; ele transporta apenas nutrientes e produtos da excreção.
-> A respiração ocorre pelo sistema traqueal, independente da hemolinfa.
-> O sangue dos artrópodes costuma ser incolor, mas contém células e pigmentos respiratórios, exceto nos insetos.
-> O pigmento mais comum é a hemocianina, e em algumas espécies também se encontra hemoglobina.
Sistema Excretório
-> A excreção nos artrópodes é realizada por diferentes estruturas: glândulas pareadas, coxais, antenas verdes ou antenais, e em alguns casos pelos túbulos de Malpighi.
-> Nos crustáceos, as glândulas antenais (ou verdes) ficam na região ventral da cabeça, próximas às antenas, e eliminam excretas por um poro.
-> Essas glândulas realizam reabsorção seletiva de sais e filtram a hemolinfa, removendo principalmente amônia e ureia.
-> Nos insetos e aracnídeos, os túbulos de Malpighi são finos, elásticos e terminam em fundo cego dentro da cavidade corporal, em contato com a hemolinfa.
-> Eles filtram a hemolinfa, eliminando principalmente ácido úrico, que é lançado no intestino e expelido com as fezes.
-> Essa adaptação ajuda os insetos a conservar água, essencial para a vida em ambientes secos.
-> Nos aracnídeos, existem ainda as glândulas coxais, localizadas no cefalotórax e que se abrem para o exterior por poros junto à base das pernas.
-> Funções semelhantes às das glândulas antenais dos crustáceos são desempenhadas por essas glândulas, diferenciando-se apenas pelo local de abertura do poro excretor.
Sistema Respiratório
-> Os artrópodes podem apresentar três tipos de respiração: branquial, filotraqueal e traqueal.
-> Respiração branquial: é característica dos artrópodes aquáticos, especialmente dos crustáceos.
-> As brânquias são evaginações da cutícula externa, em forma de lâminas ou filamentos, cuja membrana fina e permeável permite a troca direta de oxigênio (O₂) e dióxido de carbono (CO₂) entre a água e a hemolinfa.
-> Respiração filotraqueal (ou pulmão foliáceo): encontrada nos artrópodes terrestres, principalmente aranhas e escorpiões.
-> Esses pulmões ficam no interior do abdômen e se conectam ao exterior por pequenos poros respiratórios.
-> São formados por lâminas de tecido nas quais circula a hemolinfa.
-> O ar entra pelo poro, o oxigênio é transferido para a hemolinfa e o CO₂ é eliminado.
-> Respiração traqueal: típica dos insetos, consiste em tubos ocos reforçados por quitina que se abrem ao exterior através de pequenos orifícios chamados espiráculos ou estigmas, localizados ao longo do tórax e abdômen (geralmente um par por segmento).
-> As traqueias se ramificam por todo o corpo, levando ar diretamente às células, onde ocorrem as trocas gasosas.
-> No final de cada traqueia há traquéolas, células especializadas que permitem a difusão de gases entre o ar e os tecidos.
-> Um detalhe importante do sistema traqueal é a presença de sacos de ar, bolsas não reforçadas por quitina que armazenam ar úmido.
-> Esses sacos ajudam os insetos a conservar água em períodos secos, permitindo que eles fechem os espiráculos e usem o ar armazenado.
-> Além disso, os sacos de ar auxiliam na ecdise, inflando-se para ajudar a romper o exoesqueleto antigo durante o crescimento.
-> No sistema traqueal, não há pigmentos respiratórios, mas a respiração é altamente eficiente, permitindo a oxigenação direta das células do corpo.
Sistema Muscular
-> O sistema muscular dos artrópodes é muito desenvolvido.
-> Os músculos se fixam na parte interna do exoesqueleto e funcionam em antagonismo.
-> Por exemplo, quando um músculo se contrai, a perna se flexiona; a contração do músculo oposto faz a perna se estender.
-> Essa interação entre músculos antagônicos e exoesqueleto permite movimentos precisos e eficientes.
-> As asas dos insetos diferem completamente das asas dos vertebrados, como aves e morcegos.
-> Nos vertebrados, a asa é um membro anterior com esqueleto interno adaptado ao voo.
-> Nos insetos, as asas são estruturas laminares cobertas por exoesqueleto quitinoso, com nervuras, linhas mais espessas por onde circula a hemolinfa.
-> Durante a evolução, as asas anteriores dos insetos passaram a servir de proteção para as asas posteriores.
-> As asas posteriores se tornaram as principais responsáveis pelo voo.
-> Em alguns grupos, como moscas e mosquitos, as asas posteriores se transformaram em halteres, pequenas estruturas que auxiliam no equilíbrio durante o voo.
-> As asas anteriores modificadas podem apresentar três formas principais:
-> Tégminas: asas espessas e coriáceas, também chamadas de pergamináceas (ex.: gafanhotos, grilos, baratas).
-> Hemiélitros: asas espessas na base e membranosas na ponta (ex.: percevejos, barbeiros).
-> Élitros: asas coriáceas que formam um estojo cobrindo as asas posteriores (ex.: besouros).
-> Alguns insetos, como formigas operárias e piolhos, perderam as asas.
-> Essa adaptação está ligada ao modo de vida social, no caso das formigas, ou ao parasitismo, no caso dos piolhos.
Sistema Nervoso e Sensitivo
-> O sistema nervoso dos artrópodes é formado por gânglios dorsais pares, localizados acima da boca, que se conectam a cordões nervosos ventrais.
-> Cada segmento do corpo pode ter um gânglio próprio ou vários gânglios concentrados.
-> A partir desses gânglios partem nervos que conectam o sistema nervoso aos músculos e aos órgãos sensoriais.
-> Muitos artrópodes apresentam coloração de proteção, padrões de imitação e comportamento social.
-> Possuem estruturas sensoriais capazes de detectar estímulos mecânicos, químicos, sonoros e luminosos.
-> Pelinhos táteis desempenham a função do tato, transmitindo informações de toque aos gânglios nervosos.
-> O olfato e o paladar são bem desenvolvidos, permitindo que o animal perceba o ambiente pelo cheiro e pelo gosto.
-> Alguns artrópodes produzem feromônios, substâncias odoríferas que possibilitam a comunicação química entre indivíduos.
-> Quanto à visão, os artrópodes podem ter três tipos de órgãos visuais:
-> Ocelos – olhos simples que detectam apenas a intensidade da luz, presentes em alguns insetos e crustáceos; não formam imagens.
-> Olhos simples – possuem uma pequena lente capaz de formar imagens, encontrados em alguns aracnídeos.
-> Olhos compostos – formados por unidades chamadas omatídios, cada uma com córnea e lente própria, geralmente localizados em pedúnculos móveis.
-> Os omatídios formam imagens e são muito eficientes na detecção de movimentos, permitindo que o animal perceba rapidamente alterações no ambiente.
Reprodução dos Insetos
-> Os insetos são dioicos, ou seja, possuem sexos separados, e apresentam fecundação interna.
-> Durante a cópula, o macho introduz seu pênis na vagina da fêmea e deposita os espermatozoides, que ficam armazenados na espermateca.
-> Os óvulos são fecundados ao percorrer o oviduto e passar pela espermateca.
-> Os insetos são ovíparos e apresentam três tipos de desenvolvimento: ametábolo, hemimetábolo e holometábolo:
-> Ametábolo – O indivíduo que eclode do ovo já se parece com o adulto. Não há metamorfose, e o desenvolvimento é direto. Exemplo: traça-dos-livros.
-> Hemimetábolo – Do ovo surge uma ninfa, com aparência semelhante ao adulto, mas ainda sem asas desenvolvidas. O desenvolvimento é indireto, com metamorfose incompleta ou gradual. Exemplo: baratas, percevejos e gafanhotos.
-> Holometábolo – Do ovo nasce uma larva, diferente do adulto, como a lagarta. A larva se alimenta intensamente, passa por várias mudas e entra na fase de pupa ou crisálida, durante a qual sofre transformações profundas até se tornar um adulto. Exemplo: moscas e borboletas.
Reprodução dos Crustáceos
-> Na maioria dos crustáceos, os indivíduos são dioicos, possuindo sexos separados.
-> Durante a reprodução, o macho deposita seus espermatozoides no receptáculo seminal da fêmea.
-> Quando a fêmea libera os óvulos, eles ficam presos à parede do abdômen, e os espermatozoides armazenados fecundam os óvulos fora do corpo da fêmea, caracterizando uma fecundação externa.
-> Os crustáceos podem apresentar desenvolvimento direto ou indireto.
-> No caso do camarão Penaeus, observa-se o desenvolvimento indireto: do ovo emerge uma larva com aparência e estrutura muito diferentes do adulto, passando por uma metamorfose até atingir a forma adulta.
Reprodução dos Aracnídeos
-> Os aracnídeos são dioicos, com sexos separados.
-> Durante a reprodução, o macho produz um saquinho de seda contendo os espermatozoides.
-> Ao encontrar uma fêmea madura, ele utiliza os pedipalpos para injetar o espermatozoide no poro genital da fêmea, caracterizando fecundação interna.
-> A fêmea então constrói um casulo (ovissaco), onde deposita seus ovos.
-> O desenvolvimento dos aracnídeos é direto, ou seja, os filhotes já nascem com a forma básica do adulto, sem passar por metamorfose.
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